O Senador do Emprego

Fertilizantes: soberania nacional e futuro do agro brasileiro

Fertilizantes: soberania nacional e futuro do agro brasileiro
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Por senador Laércio Oliveira

O agronegócio é uma das maiores forças da economia brasileira. Ele alimenta o país, gera empregos, impulsiona exportações e sustenta boa parte do crescimento econômico nacional. No entanto, por trás dessa potência produtiva, existe uma fragilidade que precisa ser enfrentada com urgência: a dependência brasileira de fertilizantes importados.

Hoje, o Brasil importa a grande maioria dos fertilizantes utilizados na agricultura. Estima-se que cerca de 80% a 90% do que utilizamos venha do exterior, o que nos torna extremamente vulneráveis a crises internacionais, variações cambiais e tensões geopolíticas.

Essa dependência não é apenas um problema econômico. É também uma questão de soberania nacional.

O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do planeta. Somos líderes na produção de soja, milho, açúcar e diversas outras commodities agrícolas. No entanto, paradoxalmente, dependemos do exterior para um insumo fundamental para garantir essa produção. Em alguns casos, essa dependência é ainda mais preocupante: o país importa cerca de 95% do potássio utilizado na agricultura, nutriente essencial para o desenvolvimento das lavouras.

Isso significa que qualquer instabilidade internacional pode afetar diretamente o custo de produção no campo e, consequentemente, o preço dos alimentos para a população brasileira.

Não estamos falando apenas de economia, mas de segurança alimentar. Como já destaquei em debates e eventos do setor produtivo, fertilizante é um tema estratégico para o Brasil. O país precisa agir agora para reduzir essa dependência e fortalecer sua capacidade de produzir internamente aquilo que é fundamental para sustentar seu próprio sistema produtivo.

Para isso, é necessário construir um ambiente favorável à expansão da indústria nacional de fertilizantes. Isso passa por medidas concretas, como incentivos à produção, estímulo à pesquisa e inovação, redução do custo do gás natural — insumo fundamental para a fabricação de fertilizantes nitrogenados — e segurança regulatória para atrair novos investimentos ao setor.

O Brasil possui potencial para ampliar significativamente sua produção. Temos reservas minerais, capacidade industrial e conhecimento técnico para avançar nessa agenda. O que precisamos é de decisão política e planejamento de longo prazo.

Também é fundamental integrar essa estratégia ao desenvolvimento do agronegócio e à política energética nacional. Projetos industriais, novos investimentos e iniciativas de aproveitamento de resíduos agrícolas para a produção de fertilizantes são caminhos que podem reduzir custos e aumentar nossa autonomia produtiva.

Fortalecer a indústria nacional de fertilizantes não é apenas uma pauta do agro. É uma pauta de país.

Quando ampliamos nossa capacidade de produzir fertilizantes no Brasil, garantimos mais estabilidade para o agricultor, mais competitividade para nossas exportações e mais segurança alimentar para a população.

O Brasil tem todas as condições de ser não apenas uma potência agrícola, mas também uma potência na produção dos insumos que sustentam essa agricultura. Precisamos transformar essa visão em política de Estado.

A soberania alimentar do país começa no solo. E garantir fertilizantes produzidos no Brasil é um passo fundamental para proteger o futuro da nossa produção e da nossa economia.

 

Original publicado em: https://app.rdstation.email/mail/b0bc3e3c-2793-4a0f-9fc4-2fb7fd924f2a?utm_medium=email&utm_campaign=esferabr-esferanews0505&utm_source=RD+Station

 

 

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